sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

reserva pessoal

Alternativa, a casa dos artistas Paloma Perez e Robin Glass resume a personalidade dos donos.

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo


Ambiente de estar no pátio interno, que conta com aberturas para o quarto do casal e o escritório

Rogério Assis/AE

Ambiente de estar no pátio interno, que conta com aberturas para o quarto do casal e o escritório

SÃO PAULO - Oficina, depósito ou residência? Difícil imaginar a natureza do imóvel que se esconde atrás daquele anônimo portão, na Rua São Benedito. "Na prática, ele é o nosso único vínculo com o meio exterior", revela o músico e artista plástico Robin Glass, que assina com a também artista Paloma Perez o projeto desta casa - sem fachada - no Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo.

"Sempre nos interessamos por moradias alternativas. Por uma idéia de casa como expressão da personalidade de seus moradores. Foi esse conceito que procuramos desenvolver aqui", conta Paloma. Um enfoque seguido à risca desde a entrada da casa, que conta com um pouco usual jardim equipado com esculturas em terracota e duas espreguiçadeiras listradas - bem na medida da criatividade do casal. "Apenas o trabalho de reestruturação do imóvel acabou consumindo quatro meses... Tivemos de refazer quase tudo: pisos, telhados, instalações elétricas. Mas acho que valeu a pena", avalia Perez.


Outra prioridade: dotar a casa de ambientes múltiplos, adequados tanto à atividade artística quanto ao dia-a-dia doméstico. A mesma sala que recebe os convidados, por exemplo, serve como área de reunião, enquanto as cadeiras dos ateliês podem, a qualquer momento, integrar a cozinha. "Para nós, a obra é um processo contínuo", pontua Glass, entusiasmado com o resultado de seu pátio interno - recurso da arquitetura tradicional espanhola, retomado no projeto para ampliar as condições de luminosidade na parte posterior da casa, onde estão edícula, quarto e escritório.

Ambientes que seguem a naturalidade do simples, da ausência do muito elaborado na distribuição dos objetos. Que o diga o imenso cavalo em gesso, bem no centro do ateliê de Robin. "Não se trata de algo encomendado. Foi apenas o presente de um amigo; a maquete que acabou encontrando seu lugar", explica Paloma.

Raros são, aliás, os móveis e acessórios comprados prontos. Passatempo de todas as horas, a garimpagem é atividade exercida pelo casal nas feiras e lojas de segunda mão da cidade. Para Paloma e Robin, fonte permanente de inspiração para a produção de peças customizadas, caso do armário do quarto, decorado com a paisagem do Corcovado. "O que não falta aqui são tintas e pincéis. Na verdade, contamos com o fornecimento permamente do Sérgio, da Arte com Arte. É só ligar e ele abastece a casa", diz ela.

Preocupação com o detalhe perceptível também nos trabalhos da dupla que personalizam os espaços: dos imensos painéis de caixas de fósforos, criação de Paloma as miniaturas sobre chapas oxidadas, assinadas por Robin. Um enfoque delicado do objeto artístico e que parece encontrar no mobiliário moderno seu contraponto ideal: seja por meio do desenho orgânico da mesa de jantar, seja pela sinuosidade da poltrona Egg, de Arne Jacobsen.

Cores e emoções

Chita, multicolorida, no hall de entrada. Preto, imprimindo profundidade à parede do living. "Esteticamente, procurei brincar com as tonalidades, como num jogo de ilusionismo. Mas, para além das aparências, acredito ser possível ativar determinados pontos da casa a partir delas", diz Paloma, que atribui essa visão holística aos anos que trabalhou no Oriente. "Lá, aprendi que a escolha das cores tem a ver, antes de tudo, com as nossas referências emocionais", revela.

3 comentários:

mendes faria disse...

ah ... que saudade deste lugar lindo ... rsss...

bjs
abs

paloma disse...

Bora... Tá esperando o quê?
Vem logo!

jazzmasters disse...

Adorei!!! bjs