sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A Bienal do Vazio começa a ser preenchida


Escrito por Ricardo Oliveros em 8 fevereiro , 2008

Oi Artistas, curadores e polêmicos!

Enquanto as galerias estão fazendo suas malas para Arco 08, a coisa aqui não anda nada boa. Não sei se vocês estão acompanhando a polêmica sobre a próxima Bienal de São Paulo, que terá como curador-chefe Ivo Mesquita. Para resumir a história, a Fundação Bienal convocou uma série de curadores para apresentarem seus projetos e acabou dando um quiprocó daqueles e no final, para atiçar a brasa, o curador resolveu colocar em xeque o evento, com um andar inteiramente vazio, alegando que não daria tempo de fazer uma mostra nos moldes que o evento é pensado.

É uma discussão que nem sei vai chegar ao público de fato ou vai ficar restrito aquele meio, que de alguma forma ou de outra (ainda) pertenço. De qualquer forma, penso que vai ser bem interessante o que vai acontecer.

A Bienal de São Paulo já teve como seu modelo a de Veneza. Eu coloco o verbo no passado, porque na curadoria da Lisette Lagnado foram abolidas as representações nacionais, que a italiana conserva. Uma e outra tem como mote principal um curador que elege uma tese (tema) e convida artistas para exemplificar (debater?) o que ele pretende mostrar como um recorte do que está sendo feito em termos de arte contemporânea no mundo.

Certa ou errada, a Bienal leva um grande público, que geralmente não é muito afeito às artes plásticas para o parque do Ibirapuera. É um programa. Tem gente que gosta, gente que não. Obras que agradam, obras que não. É sempre a mesma coisa. Eu confesso que sou daqueles que pensa que o modelo está ultrapassado. Prefiro a Documenta de Kassel.

Hoje recebi a Carta da 28a. Bienal de São Paulo, que pretende ser um informativo sobre as ações da mostra. Nela já temos as primeiras informações, e o anuncio do primeiro time de artistas escolhidos:

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Alexander Pilis (Rio de Janeiro, 1954)Alexander Pilis (Rio de Janeiro, 1954) vive e trabalha atualmente em Barcelona, onde leciona nas Universidades Politécnica de Catalunya e Pompeu Favra. Seus projetos tomam como ponto
de partida o conceito de “Architecture Parallax”, e desde 1984 trabalha com a fundação sem fins lucrativos Archimemoria, onde vem desenvolvendo colaborações e pesquisas entre arquitetura, ciência e arte. Já participou como artista convidado das XIX e 25ª Bienal de São Paulo.

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Construindo uma poética através de intervenções em objetos de uso cotidiano, Gabriel Sierra (San Juan Nepomuceno,
Colômbia, 1975) posiciona sua produção entre a arte e o design, repensando e transformando os diferentes usos destes objetos. Entre suas inúmeras criações, se destaca a série de móveis e estruturas expositivas criadas no ano de 2007, para armazenar e expor o arquivo permanente, e em constante expansão, da Casa del Encuentro, em Medellín, Colômbia, centro de arte criadocomo parte do projeto Encuentro Internacional de Medellín 07.

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Goldin + Senneby (Simon Goldin, Estocolmo, 1981 e Jakob Senneby, Estocolmo, 1971) trabalham colaborativamente desde 2004, e têm sua pesquisa focada na imaterialização da sociedade contemporânea e na virtualização do trabalho e da economia. Esta será a primeira vez que participarão da Bienal de São Paulo.

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Peter Friedl (Oberneukirchen, Áustria, 1960) desenvolve projetos em espaços públicos e para locais específicos. Sua produção pode ser apresentada em vídeo, fotografias, desenhos, instalações e publicações, e entre os principais temas de seu trabalho, encontrase a representação da infância na sociedade contemporânea, como na série de fotos em desenvolvimento, Playgrounds, na qual o artista fotografa diversos espaços de lazer infantil em diferentes cidades do mundo, e apresenta as imagens captadas em formato de slide show.

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Valeska Soares (Belo Horizonte, Brasil, 1957) vive e trabalha em Nova York, EUA. Sua produção combina elementos do
minimalismo com o barroco, tomando como ponto de partida o universo pessoal da artista. Suas instalações exploram os
diferentes sentidos como a visão e o olfato, além da percepção do próprio corpo no espaço. Entre os materiais de uso recorrente nos seus trabalhos estão perfumes, cera, flores, espelhos e livros. Já participou como artista convidada das XXII e XXIV Bienal de São Paulo.

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O coletivo de artistas assume vivid astro focus, ou a.v.a.f., liderado pelo brasileiro Eli Sudbrack (Rio de Janeiro, Brasil, 1968) radicado em Nova York, EUA, se apropria de elementos da cultura pop e da história da arte para desenvolver projetos site specifififi c e multimídias, coloridos e multi-sensoriais, envolvendo desenhos, projeções, música, instalações, papéis de parede, performances e construções. Todo o repertório visual do grupo deriva de uma estética afi rmativa do prazer e da celebração, convidando o espectador a tomar parte no espetáculo.

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Rivane Neuenschwander (Belo Horizonte, Brasil, 1967) vive e trabalha em Belo Horizonte, e participa de importantes mostras de arte no mundo todo. Foi artista convidada na Bienal de Veneza em 2003 e 2005, e expôs individualmente no Palais deTokyo em 2003. Seu trabalho revela as possíveis surpresas da vida cotidiana presentes em objetos triviais; não se restringindo a um material ou forma específi cos, abrangendo formigas e máquinas de escrever. Participou da XXIV Bienal de São Paulo.

A curadoria espera poder anunciar todos os artistas convidados, assim como a estrutura dos eventos da 28BSP até o final de fevereiro, na Carta da 28ª Bienal de São Paulo II.

Agora, vamos combinar que para uma Bienal do Vazio, ela já está ficando bem cheinha!

Oiticica como um cafona qualquer, por Rubens Pileggi Sá

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Proposta para a próxima Bienal de São Paulo é deixar o segundo andar vazio

Oiticica como um cafona qualquer

RUBENS PILEGGI SÁ

“Lembro-me de como Mondrian, por exemplo, é injustiçado ao ser colocado tão esteticamente dentro de vidro, em larguíssimas molduras inteligentemente boladas para suas obras, em lindas salas, como um acadêmico cafona qualquer”.
H.O. in Aspiro ao Grande Labirinto (1984: P118)

Emoções de fim de ano
E não é que o clima de fim de ano na seara das artes plásticas esquentou, mesmo? Entre algumas polêmicas, pode-se contar a contenda da crítica feita por Camillo Osorio sobre o cuidado das peças e do destino do Centro de Arte Hélio Oiticica e a resposta dada por César Oiticica, diretor e dono particular das obras do irmão, que respondeu irado às colocações do crítico de O Globo; outra que deu o que falar foi a do anúncio da Bienal do Vazio, proposta pelo curador Ivo Mesquita, que deixará o segundo andar do pavilhão da Bienal de São Paulo, ano que vem, sem obras, causando uma tremenda celeuma no meio artístico e; essa última agora, iniciada pelo jornalista da Folha de São Paulo, Luciano Trigo, sobre obras que levam maçã, mármore e paçoca de amendoim para as galerias de arte, no país da tropa da elite.

Releituras como posição crítica
A primeira coisa que é possível levantar dessas questões todas, é que se repetem muito os personagens – ou seus similares - comandando a direção dos debates que foram desenvolvidos há mais de 40 anos atrás e que, uma boa (re)leitura das propostas daquele momento, nos faria (re)pensar vários desdobramentos das artes tupiniquim, particularmente esse das metáforas artísticas e sua realização formal. Não que tais personagens e modelos deixem de ter suas razões para estarem no campo de debates, mas como é que as dissonâncias de discurso simplesmente parecem não possuir tal força ativa dentro do circuito, como se fossem incapazes de criar significação dentro da mesma situação? Uma coisa é certa, quando o “contramodelo” – como diz Hal Foster, in Recodificacação, de 1996 – passa a se tornar, ele também, um padrão imposto, todo o discurso transformador incorporando a pulverização e a heterogeneidade deixa de acontecer, ou é tomado como desagregação.

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Hélio Oiticica, Delirium Ambulatorium (Mitos Vadios), 1978

O museu é o mundo
Só para esclarecer, uma dessas possibilidades de interpretação pode ser encontrada nos escritos de julho de 1966, de H.O., onde, em vários trechos, fica clara sua “posição social-ambiental”, tornando clara sua posição poético-política, ao dizer que “tal posição só poderá ser aqui uma posição totalmente anárquica, tal o grau de liberdade implícito nela”. Escrevendo sobre “leis interiores se refazendo constantemente” na obra, diz que “o museu é o mundo”. Vejamos isso, onde ele toca no assunto da exibição de suas obras: “de nada significa ‘expor’ tais peças (seria um interesse parcial menor), mas sim a criação de espaços estruturados, livres ao mesmo tempo à participação e invenção criativa do espectador”. E o que dizer quando o assunto é a “obra-obra”, que foi a apropriação de um conserto público que estava sendo realizado nas ruas do Rio de Janeiro, do qual o artista se “apossou”, durante alguns momentos, de algo que estava acontecendo, chamando isso de “manifestação ambiental”? Quando Oiticica fala da “consciência de um não-condicionamento das estruturas estabelecidas” (4 de março de 1968) não é do acondicionamento de obras em museus e galerias, ou da herança de resíduos materiais o assunto tratado, mas de uma experiência onde o participante é transformado pela obra e a obra, por sua vez, é dada à modificação. Assim, o tempo enquanto processo não pode ser congelado.

O paradoxo da incompletude
Um garoto começando a entrar/estudar (sobre) arte, lendo H.O., não vai poder mais acreditar em pureza (“a pureza é um mito”), vai querer ir direto para a experiência “suprasensorial” como um dado da realidade. Só que, como faltam os tais “contramodelos” abrigando a possibilidade de experiências estéticas dissolvidas na vida, esse mesmo garoto vai acabar caindo nas informações da Folha de São Paulo e no(a) Globo e vai sentir, no mínimo, que alguma coisa está incompleta, ao ver um H.O. colocado tão esteticamente em lindas salas, “como um acadêmico cafona qualquer”. E como o discurso da incompletude também foi padronizado, nosso garoto, coitado, vai pensar que o esquizofrênico é ele, não nossa época.

No direito de reivindicar
Certamente a arte como um jogo de formas mais ou menos artesanais, feita seja do material que for, mesmo uma pintura, continua e continuará existindo. Bem como a arte feita em computador, virtual, ou a que se utiliza de meios híbridos para se realizar, não será o futuro da arte. Não sejamos ingênuos.

Mesmo a arte “desmaterializada” que vem acontecendo há anos, ou, “um estado de arte sem arte” – pensada através das propostas de uma artista como Lygia Clark – já não causa mais nenhum choque como antes. Mas a verdade é que ela ficou “escondida” no meio de tantas metáforas, citacionismos e subjetividades produzidas como linguagem, que só há pouco tempo se viu no direito de reivindicar um lugar ao sol, afinal, em seu estatuto – Situacionismo, Fluxus, Nova Objetividade, Arte Conceitual, etc. – cria a relação entre arte e vida.

Estudo de casos

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Instalação de Ricardo Basbaum, de 2002, que participou do evento “Interculturalidades”, UFF, Niterói

Três casos bastam como ilustração de caso, onde – não é que a forma deixe de ser levada em consideração, ou o artesanato da feitura do trabalho seja excluído, ou que prescinda de tecnologia eletrônica para sua existência – o dado real fala por si, a relação do espectador com a obra é levada em consideração e o tempo é parte do processo.

O primeiro é de Ricardo Basbaum, particularmente dos trabalhos em que ele coloca um sofá, algumas plantas, algum diagrama, um monitor acoplado a uma câmera de vídeo, dentro de um ambiente bastante familiar. Quando uma pessoa passa pelo vídeo, sua imagem é capturada e remetida para o monitor de tv, criando assim uma espécie de estranhamento da própria familiaridade distanciada que aquilo parecia possuir.

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Visões do Paraíso, de Bob N + Marrsares, Marcio Botner, Cadu D'Oliveira, Galaxi, e Vitor (El Pescador)
Crédito da foto: Rodolfo Borges

O segundo caso ilustrativo das mesmas concepções criativas que levam as possibilidades ambientais/vivenciais ao extremo, foi o evento organizado por Bob N no MAC Niterói, em novembro passado, intitulado “Visões do Paraíso”. Além de ser ao “ar livre”, parecia um vernissage cuja obra era o próprio ato de estar ali. Foi oferecido, a quem quisesse, algumas espumas forradas com tecido azul para se sentar, peixe frito e música, comandada por Djs. Se for possível pensar em uma metáfora para isso, poderíamos levar em consideração a própria paisagem, concebida pelo artista como uma visão.

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imagem retirada do blog do coletivo Orquestra Organismo: “restam bases e/ou a Cachoeira dos Descartógrafos”

O terceiro caso ilustrativo é o mais “desmaterializado” de todos. Aqui a obra acontece enquanto está sendo transmitida pela internet, em tempo real. Fora isso, alguns textos que ficam no blog e o registro de fotos e ou vídeos é tudo o que sobra. Trata-se do trabalho do Orquestra Organismo (www.organismo.art.br), um grupo nascido em Curitiba, cujos integrantes são músicos, artistas plásticos e outros colaboradores que se reúnem para qualquer tipo de atividade que considerem interessante, ou que, a partir de uma situação dada, possam desenvolver criações que vão de encontros de confraternização – físicos e virtuais – à invenção de gambiarras tecnológicas. Como eles próprios colocam: “(o coletivo) dedica-se à recombinação e abertura de códigos de conhecimento”.

Contra o conformismo
Para uma idéia geral da diversidade de horizontes que se abrem hoje em dia, além das polêmicas pontuais, outros vários casos podem vir à tona. Mostra que a herança maior que um artista como H.O. deixou foi sua lucidez e a capacidade de pensar sua obra inserida na transformação da realidade. E é preciso entender isso como motivação de ação, ímpeto ao fluxo, não congelamento de uma arte dada como objeto de museu, envolvida em mil metáforas citacionistas, fechada em si.

Fica aqui uma convocação geral à releitura de certas visões dadas como definitivas. Começar pelos textos de H.O. é um bom caminho para enfrentar as “adversidades” do discurso padrão que quer fazer dele um “cafona qualquer”.

Galeristas brasileiros celebram vendas na Arco

Matéria de Fabio Cypriano, publicada na Folha de São Paulo no dia 15 de fevereiro de 2008

Ao atravessar o corredor que une 32 galerias brasileiras em Madri, os reis da Espanha, Juan Carlos e Sofía, junto com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, inauguraram, ontem, a 27ª Arco, a feira espanhola de arte contemporânea.

Desde anteontem, contudo, a feira já estava aberta para profissionais, e galeristas brasileiros comemoravam o objetivo central de um evento desse porte: as vendas. "Duas obras já foram adquiridas por instituições espanholas", disse Ricardo Trevisan, da Casa Triângulo, menos de uma hora após a abertura da feira.

Com curadoria de Moacir dos Anjos e Paulo Sergio Duarte, o Brasil, país convidado da Arco, está representado por 108 artistas, em um espaço de 1.000 m2. "Buscamos mostrar a diversidade da produção brasileira e romper com os estereótipos", disse o curador Dos Anjos à Folha.
A proposta obteve repercussão positiva, com destaque nos jornais espanhóis, como o "La Vanguardia", que descreveu a missão nacional como "ni tan alegre, ni tan sensual".

Aproveitando a presença brasileira na Arco, anteontem, o ministro Gilberto Gil e o ministro da Cultura da Espanha, Cesar Antonio Molina, lançaram, no museu Reina Sofía, a programação do ano ibero-americano de museus, que irá abarcar 900 iniciativas em 22 países.

reserva pessoal

Alternativa, a casa dos artistas Paloma Perez e Robin Glass resume a personalidade dos donos.

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo


Ambiente de estar no pátio interno, que conta com aberturas para o quarto do casal e o escritório

Rogério Assis/AE

Ambiente de estar no pátio interno, que conta com aberturas para o quarto do casal e o escritório

SÃO PAULO - Oficina, depósito ou residência? Difícil imaginar a natureza do imóvel que se esconde atrás daquele anônimo portão, na Rua São Benedito. "Na prática, ele é o nosso único vínculo com o meio exterior", revela o músico e artista plástico Robin Glass, que assina com a também artista Paloma Perez o projeto desta casa - sem fachada - no Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo.

"Sempre nos interessamos por moradias alternativas. Por uma idéia de casa como expressão da personalidade de seus moradores. Foi esse conceito que procuramos desenvolver aqui", conta Paloma. Um enfoque seguido à risca desde a entrada da casa, que conta com um pouco usual jardim equipado com esculturas em terracota e duas espreguiçadeiras listradas - bem na medida da criatividade do casal. "Apenas o trabalho de reestruturação do imóvel acabou consumindo quatro meses... Tivemos de refazer quase tudo: pisos, telhados, instalações elétricas. Mas acho que valeu a pena", avalia Perez.


Outra prioridade: dotar a casa de ambientes múltiplos, adequados tanto à atividade artística quanto ao dia-a-dia doméstico. A mesma sala que recebe os convidados, por exemplo, serve como área de reunião, enquanto as cadeiras dos ateliês podem, a qualquer momento, integrar a cozinha. "Para nós, a obra é um processo contínuo", pontua Glass, entusiasmado com o resultado de seu pátio interno - recurso da arquitetura tradicional espanhola, retomado no projeto para ampliar as condições de luminosidade na parte posterior da casa, onde estão edícula, quarto e escritório.

Ambientes que seguem a naturalidade do simples, da ausência do muito elaborado na distribuição dos objetos. Que o diga o imenso cavalo em gesso, bem no centro do ateliê de Robin. "Não se trata de algo encomendado. Foi apenas o presente de um amigo; a maquete que acabou encontrando seu lugar", explica Paloma.

Raros são, aliás, os móveis e acessórios comprados prontos. Passatempo de todas as horas, a garimpagem é atividade exercida pelo casal nas feiras e lojas de segunda mão da cidade. Para Paloma e Robin, fonte permanente de inspiração para a produção de peças customizadas, caso do armário do quarto, decorado com a paisagem do Corcovado. "O que não falta aqui são tintas e pincéis. Na verdade, contamos com o fornecimento permamente do Sérgio, da Arte com Arte. É só ligar e ele abastece a casa", diz ela.

Preocupação com o detalhe perceptível também nos trabalhos da dupla que personalizam os espaços: dos imensos painéis de caixas de fósforos, criação de Paloma as miniaturas sobre chapas oxidadas, assinadas por Robin. Um enfoque delicado do objeto artístico e que parece encontrar no mobiliário moderno seu contraponto ideal: seja por meio do desenho orgânico da mesa de jantar, seja pela sinuosidade da poltrona Egg, de Arne Jacobsen.

Cores e emoções

Chita, multicolorida, no hall de entrada. Preto, imprimindo profundidade à parede do living. "Esteticamente, procurei brincar com as tonalidades, como num jogo de ilusionismo. Mas, para além das aparências, acredito ser possível ativar determinados pontos da casa a partir delas", diz Paloma, que atribui essa visão holística aos anos que trabalhou no Oriente. "Lá, aprendi que a escolha das cores tem a ver, antes de tudo, com as nossas referências emocionais", revela.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

trabalhando

artexpo








Estou participando da Artexpo NY 2008. Visite nosso espaço - Booth #1040

O Sciacco studio é um espaço de arte contemporânea que minha agente Tânia Sciacco criou. Estou sendo representada por ela, e juntos também foram Daniel Fontoura, Robin Glass e Paulo Mendes Faria.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ando pensando verde...



















imagem robin glass
tratamento paloma perez

Haste (Escoliose cont.)















Há 24 anos, minha mãe aparece em casa com uma calça jeans para que eu experimentasse. Tudo rotineiro. Ela trabalhava na Fiorucci, e eu fazia as vezes de modelo de prova para a “Fioruccino” (marca infantil da Fiorucci). Dava para eu perceber o rosto de espanto dela. Pediu para que eu tirasse a calça e só dizia que estava tudo torto. Media de um lado para outro, cada cantinho da dita cuja. Imagino o que se passava em sua cabeça. Ela gerente de produção, com algumas milhares de peças estragadas. Mediu tudo e nada. A calça estava perfeita. Na mesma semana eu quebrei um dedo, jogando handball no time da minha escola (Gávea). Meu avô foi me buscar e fomos a um pronto-socorro. Ela já mais tranqüila no telefone, pede para aproveitarmos o estar lá e fazer uma radiografia da minha coluna.

O médico não disse quase nada, apenas que queria conversar pessoalmente com minha mãe. Eu queria ir embora. Já não poderia mais participar do campeonato. Estava com dedo doendo. O que mais poderia acontecer?
O universo é muito limitado para uma mocinha de 11 anos. Meu avô, um bom espanhol bravo, mandou que eu esperasse com paciência minha mãe chegar. Para meu alivio, logo chega. Entramos na sala do medico que continuo a não dizer nada, só para que procurássemos o Dr. Elcio Landim.
Saímos de lá diretamente para seu consultório. Mais algumas horas intermináveis de espera. Médicos gostam desse modelo de nos deixar esperando…
Dr. Landim aparece, muito simpático, elegante e com os olhos azuis, iguais os de minha avó. Seu falar era manso, pausado e seguro. Pediu para ver a radiografia. Olhava para cada pedacinho de minha coluna. Percebemos o quanto eu estava torta, minha coluna quero dizer… Ele começa a me examinar. Faz uma série de perguntas. O diagnostico chega. Muito simples e objetivo. Precisava operar a coluna.
O que eu tinha mais se parecia um palavrão. Escoliose lombar progressiva com torção (tinha 38 graus de torção na parte inferior e 48 graus na parte superior – acho que os números eram esses).

Tinha 2 opções:

1. Operar o mais rápido. A operação era complicada.
Colocariam uma haste de platina com alguns parafusos. A função da haste seria fixar a coluna para que a escoliose não continuasse a crescer, e assim tentar reverter o máximo possível de toda torção.
Retirariam parte do osso do meu quadril direito. Esse osso seria triturado, servindo como um enxerto para a calcificação da haste na coluna.

Riscos: Ficar paralítica. Não encostar os calcanhares no chão. Perder os movimentos do pescoço.
Fora perder os movimentos da coluna, esse já era certo.

Pós operatório: Maravilhoso… Um ano engessada dos ombros até o quadril.
Quase dois anos para o osso do quadril se refazer e poder andar normalmente.

2. Usar um colete daqueles que esticam o pescoço e prendem o corpo, por volta de uns 6 anos. O colete tentaria impedir o crescimento da escoliose, mas mesmo assim teria que operar depois.

Precisávamos pensar. Saímos de lá.
Eu tinha a sensação que faltava chão para pisar.
Minhas preocupações poucos momentos antes de entrar naquele consultório eram as mais comuns para uma adolescente. E de repente precisaria decidir o que aconteceria com meu corpo e minha vida.
Imagino o que estava sendo para minha mãe também.
Ela só disse para eu pensar e decidir. Teria total apoio em qualquer uma das decisões.

Começamos a ir em vários médicos. Todos unanimimente falavam que o Dr. Landim era o melhor.

Mesmo porque desde o primeiro dia eu dizia, que se fosse operar seria somente com ele.

A cirurgia não era comum, e não encontrávamos ninguém que pudesse relatar uma experiência ou algo parecido. Não sabíamos de onde tinha vindo aquilo ou porque.

Devem ter se passado pouco mais de 1 mês... Decidi que iria operar.

Voltamos ao Dr. Landim. Ele disse termos tomado a melhor decisão.
A recuperação de uma criança e muito mais rápida do que de um adulto. Explicou detalhadamente todos os passos da operação.
Demoraria 16 horas. E precisava me lembrar de que quando ele falasse “Paloma”, no meio da cirurgia eu precisaria mexer meus pés.
Engraçado que tinha medo de não me lembrar. Mas sem ter qualquer noção de que os meus pés seriam o sinal para saber se a medula teria sido afetada ou não.

Começam os exames pré-operatórios. Minha irmã me levou para faze-los.
Pedem para que eu entrasse na sala. Queria ela junto. Não deixaram. Eu tinha pânico de agulha e não sabia. Fiz um escândalo, até que deixaram minha irmã entrar. Foi só aqui que percebi o que estava acontecendo de fato.
Exames feitos. Tempo de coagulação perfeito e com toda saúde que cabe a uma criança.

Operação marcada. Dr. Landim queria que fosse na Santa Casa – SP, em um setor só de ortopedia, para que não corresse nenhum risco de infecção.

O dia D.

Chegamos na noite anterior. Exames de sangue.
Acordo com minha mãe me olhando com cara de despedida. Claro que estava morrendo de medo, ela e eu.
Pedi ao Tio Luis Gino (meu padastro e médico que morava no RJ) para que ele entrasse comigo e ficasse na operação.
Fui indo, já em uma maca para o centro cirúrgico sem ele. Aflita por seu atraso. Só pedia para que esperassem um pouquinho. Tinha certeza que ele chegaria.
Colocaram minha maca num canto do corredor, antes da entrada da sala.
Lembro de sentir muito frio. Olho para chão e vejo aquele par de All Star branco. Foi a melhor coisa que vi naquele dia.
Tio Luis Gino pedindo desculpas pelo atraso, vestindo aquelas roupas azuis de centro cirúrgico. Me deu beijo na testa, apertou forte minha mão, nenhuma palavra era necessária. Entramos juntos. Dr. Landim retoma o que precisava estar impresso na minha memória. “Quando eu disser Paloma, mexa seus pés. Dali só a lembrança de luzes indo embora, e a segurança da mão do Tio Gino.

Acordo algum tempo depois, dando um soco no meu irmão. Pareciam dias depois da cirurgia. Ainda estava grogue, e não tinha controle de força ou movimentos. Queria só fazer um carinho no rosto dele. E como este só lembro de "flashs" de pessoas. Não sei quanto tempo durou isso. Foi de uma hora para outra que senti realmente estar acordada.

Tinha alguma coisa na coluna que doía muito. Só mais tarde descobri ser um dreno. Uma parte dele dentro de mim e outra uma espécie de recipiente plástico, que chamávamos de “to-tó”. Não podia me mexer, nem ao menos colocar um travesseiro sob a cabeça. Estava deitada sobre um coxo de gesso. Era tudo esquisito. Mas continuava eu. Do mesmo jeito, pensando e sentindo igual.

No hospital todos me tratavam com muito carinho. Aqui não falo de minha mãe que dormia ali todos os dias. Da Vó Maria que em quanto bordava, passava o dia inteiro me olhando. Dos meus irmãos, meus tios e amigos. Mas de um monte de gente que mandava recados, presente e flores. De vizinhos de quarto querendo saber como eu estava… Assim aos poucos parecia que eu ia entendo a gravidade.

Algumas semanas depois, soube que poderia tirar o dreno. Fiquei feliz, porque aquilo incomodava pacaz.

Minha irmã chegou bem na hora de tirar o dreno. Lá já estavam minha Mãe e a Vó Maria. Alguns enfermeiros me viraram de lado na cama, e cuidadosamente afastaram o coxo. A Tuca (minha irmã) se aproximou, e começaram a puxar o dreno. Parecia que estavam arrancando minha medula com uma faca a sangue frio, deve ter sido isso que meu rosto estampou. De repente todos me largam na cama. A Tuca estava desmaiada no chão. Lembro de um enfermeiro colocando éter perto de seu nariz, para que acordasse. Achei que tinha acabado.
Não, estava só começando. Não dei um pio. Nem sei como. Tiraram o dreno inteiro.
As dores para a retirada do dreno eram duas. A primeira por ser na parte interna da coluna e por isso parecia estarem tirando minha medula. A segunda porque a pele já estava cicatrizada e sentia estarem me rasgando.
Foi um alívio estar livre do to-tó.

Dependendo de como tudo corresse eu poderia colocar o gesso em poucas semanas. Acho que a essa altura, mais umas 2 apenas.
Queria tanto poder me mexer, levantar ou ao mesmo ir ao banheiro. Sonhava com um travesseiro.
Fiquei ali pacientemente sem reclamar de nada. Ainda não conhecia a capacidade que temos ao enfrentar situações difíceis.

O gesso agora representava liberdade.

Chegou o dia. Pela primeira vez em semanas eu poderia sair do quarto e me levantar. E mais não precisaria fazer curativos nas cicatrizes.
Chega um enfermeiro no quarto e lá fomos nós, eu, mamãe e ele.
Os corredores do pátio aberto da Santa Casa são intermináveis…
Chegamos a uma espécie de porão. Quando percebo uma cama enorme, feita só em suas extremidades, era oca. Essa cama mais se parecia com aquelas camas de tortura. Teria que deitar apenas sobre uma fita e minhas mãos e pés estariam amarrados. A sensação era de medo. Como eu iria parar ou mesmo chegar ali? Aparece um médico, um oriental lindo, enorme (pelo menos em minha lembrança). Colocou suas mãos em volta de mim, sem que mexesse um pedacinho da coluna e me carregou até a cama como se eu fosse uma pluma. Isso porque minha altura na época ja era 1,74cm.
Foi aflitivo estar acordada e deitada naquela fita. Parecia que se eu respirasse errado dali cairia.
Depois de um bom tempo, o gesso estava pronto. Só ele pesava 15 quilos. Ainda não podia andar, precisa esperar o gesso secar, mais 2 ou 3 dias.

Dr. Landim passava todos os dias para me ver.

Chega um dia, todo simpático. Eu poderia levantar.
Colocou um banco perto da cama, parecia um degrau alto.
Foi me levantando aos pouquinhos, até que eu estivesse sentada na cama. Minha mãe observava ali do lado, pedindo para eu fazer tudo bem devagar.
Ele estendeu a mão para me apoiar. Fiquei em pé. E sai correndo para o banheiro. Todos pediam para eu parar.
Mesmo mancando eu podia andar!
Minha mãe parecia que ia cair dura de tanta emoção.

Mais uma etapa vencida.

Ainda não podia sair do hospital.
Tinha perdido muito sangue na cirurgia. Precisaria de uma transfusão de sangue. Tive que ficar no hospital mais 1 semana. Meu sangue era difícil de encontrar (AB-).
Concentrado de papa de hemácias. A essa altura eu aceitava qualquer coisa para poder ir para casa. Foi uma noite inteira de transfusão. Com o Pichú e tia Liana em cima de uma escada, apertando aquelas bolsinhas de sangue que teimavam em não querer sair dali. Já não tinha mais veias. A transfusão terminou em meus pés.

Pude ir para casa.

Em casa tudo foi bem mais tranqüilo. Claro que com uma série de adaptações. Precisei aprender a me movimentar com aquele gesso. Fiquei mais um bom tempo em repouso, até poder voltar para a escola. Meu irmão que estudava de tarde, levantava todos os dias muito cedo para ajudar a me vestir. O gesso era um monstro. Voltar para escola era complicado. Muitas piadas e vergonhas.
Aqui não tinha jeito o pior já tinha passado.

De festinhas, namoricos, roupas, brincar, ter uma vida normal de adolescente eu não sabia mais nada. Meus sonhos nessa época eram, tirar gesso, poder ver meu peito, que ali dentro daquele gesso tentava crescer, tomar banho de corpo inteiro, entrar em uma piscina, ir à praia, parar de mancar, não sentir mais coceiras no corpo. O pior de tudo era o olhar de pena das pessoas, achava aquilo muito ruim.

Passados pouco mais de 1 ano... Felizmente chega o dia de tirar definitivamente o gesso.
Como eu sonhava com aquilo.
O barulho do gesso quebrando fazia eu me sentir uma borboleta. Levantar sem ele foi um susto, 8 quilos a menos assim de repente, o ultimo colete de gesso era bem mais leve, do que os outros. (Durante esse período troquei o gesso algumas vezes. Nunca pude levantar sem ele).

Finalmente eu poderia fazer tudo que estava esperando. Até passar a mão na minha barriga e me olhar no espelho. Tinha virado um monstro (assim mesmo), nasceu um mundo de pelos em toda pele que estava debaixo do gesso. E uma camada de gordura que lembra aquela com que os bebes nascem. Demorou mais de um mês para que tudo voltasse ao normal.

A operação fui um sucesso. Continuei com um pequeno desvio.
Olhando o corpo, o movimento, ninguém pode imaginar que eu tenha passado por isso. Criei outras flexibilidades. As cicatrizes graças a minha mãe e Mr. JJ Jackson são quase invisíveis.
A minha linda postura só posso agradecer ao Dr. Landim.
Das seqüelas possíveis não tive nenhuma.
Do momento engessada, que na época achava estar perdendo parte da vida. De certa forma realmente estava, foi compensado.

Os carinhos foram muitos. Os ensinamentos do Távio (adorei ter conhecido o I CHING) e da Tê.

Em seguida fomos morar no Rio de Janeiro. Sentia-me em um aquário do qual não fazia parte. Da paulista engessada, queria virar uma gatinha de Ipanema. Assim como eram todas as meninas que passei a conhecer. Tarefa impossível. Nunca coube dentro de mim.
Tinha que ir à praia de maiô, porque a pele ainda era muito sensível.
Tinha vergonha das cicatrizes. E ainda não conhecia os limites físicos de meu corpo. Perdi o ano seguinte na escola.
Mas comecei a fazer aulas de pintura. O passa tempo que era pintar, desenhar em todo período desde da cirurgia até tirar o gesso, tornou-se sério. Eu adorava. Foi a única coisa que se permaneceu deste período.

Daí vieram outras coisas… A emoção, o sentimento, a auto-estima também foram engessadas. Assim como quase tudo que não gostei de ter vivido.

Durante toda a adolescência até ser adulta, tratava essa coluna como se nada tivesse acontecido. Mal tratei meu corpo. Baguncei minha vida. Comecei a trabalhar com 15 anos. Meus amigos eram adultos, ou mais velhos do que eu. Era uma menina em corpo de mulher, talvez até com algumas demonstrações de maturidade. Mas claro, os sentimentos e a forma de me relacionar com eles era só de menina crescida.

Casei muito novinha, tinha 21 anos. Descobri que estava grávida 3 dias depois do casamento. Foi uma felicidade, eu queria ser mãe. Não sabia como seria a gravidez. Muito menos o parto. Estávamos morando no EUA. Minha gravidez foi maravilhosa. Cuidei de cada minuto dela. Nunca senti nada na coluna. Vivi ali somente para aquele momento. Queria sim fazer tudo perfeito. Tinha muito medo do parto. Medo natural que imagino toda mulher sentir.

Nos EUA cesariana é uma pratica usada só em casos de emergência.
Caso eu precisasse fazer uma, sabia que só poderia tomar anestesia geral. Ainda mais em um pais onde nenhum médico quer correr riscos.
Anestesista algum queria fazer uma peridural (anestesia dada na coluna) com aquela haste e parafusos.
Anestesia geral, eu não queria. A possibilidade de colocar meu filho em risco, para me poupar de qualquer dor, era inexistente. Trabalhei a gravidez inteira para ter um parto normal.

Chega o parto. O Pepê (filhote) era enorme, pesava 5 kg e media 56 cm.
Foram 38 horas de trabalho de parto. Eu não tinha dilatação. Precisaram induzir o parto, estourando a bolsa. O remédio mais forte que me deram era um antialérgico.
Só lembrava de minha avó dizendo que a dor todas as mulheres agüentam. Eu estava estudando Leboyer. Queria que o Pepê chegasse ao mundo da forma mais saudável. Fiz do prazer de recebê-lo algo muito maior do que qualquer dor. Mesmo sem nenhuma anestesia. Não dei um grito. Não fiz escândalo. Nada. Só queria vê-lo. Ele nasceu.
Os procedimentos normais foram tomados e em poucos instantes eu já andava até o quarto. No dia seguinte estávamos em casa.

Anos se passaram. Assisti ao filme de Frida Kahlo. Foi muito forte para mim. Todas as lembranças ali impressas... De gesso, vontade de ser mãe e etc...

Fui fazer análise. Daquelas boas de 4 vezes por semana.
Foi uma das melhores coisas que fiz por eu mesma. O Robin me aturou. Descobri que ter tido o Pepê, significou a possibilidade de entendimento, que de meu corpo é possível sair algo bom.

Hoje minha haste está quebrada. Faz 25 anos que foi colocada. Era de se esperar. Existiu a possibilidade de tirá-la. Ela não tem função alguma no meu corpo.
Mas, decidi que ficará aí. E da mesma forma que aprendi a conviver com ela inteira, conviverei com ela quebrada.

A medicina avança rapidamente. Minha haste é considerada “dinossaurica”.
Em uma cirurgia de escoliose nem mesmo colete de gesso é mais necessário. Tudo hoje parece ser mais brando e seguro.

Escrevo esse relato para dividir, o que um dia senti falta de ouvir. E também para tentar alertar pais e médicos para a importância de um acompanhamento psicológico.

Hoje com 36 anos, sei da vontade de ter restabelecida minha auto-estima. Da urgência de “desengessar” sentimentos e medos.
Acabei vestindo durante minha vida, uma máscara do que gostaria ser. Sem dar nenhuma importância, para quem eu sou. Estou tentando. Quando descobrir conto para vocês.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Escoliose

Elcio Landim
por Elcio Landim*

Escoliose é o nome dado ao desvio lateral da coluna vertebral. Pode ocorrer na região torácica ou na lombar, para a direita ou para a esquerda, quase sempre acompanhada da rotação das vértebras (elas giram no próprio eixo). Escolioses funcionais, provocadas por má postura, são reversíveis com exercícios e fisioterapia. As mais comuns, no entanto, são as estruturais. Elas não são reversíveis. Resultam de doenças nos nervos e nos músculos ou são idiopáticas, isto é, sua causa é desconhecida. Essas últimas são as mais freqüentes. Podem aparecer já na infância, mas a maioria é detectada apenas na adolescência, a partir dos 10 anos. Estudos indicam que atingem entre 6% e 15% da população, sendo as principais vítimas as meninas (constituem 80% a 90% dos casos). Suspeita-se que as mudanças hormonais da puberdade possam levar a algum desequilíbrio na produção de enzimas relacionadas ao desenvolvimento da coluna. Mas nada é certo. O fato é que o desvio aparece por volta de 10, 12 anos e progride rapidamente. Há casos em que o ângulo da curvatura aumenta 1 grau por mês. O mais comum é que não ultrapasse os 20 graus. Até esse patamar, os médicos indicam apenas fisioterapia para o fortalecimento dos músculos e acompanhamento rotineiro, com radiografias. O jovem não sente dores e em geral não tem problemas na vida adulta. Na idade madura, porém, é provável que o desvio favoreça o surgimento de protusões de disco (deslocamento do tecido gelatinoso que se localiza entre as vértebras e amortece seus movimentos). Somente quando os 20 graus são ultrapassados indica-se o uso de coletes ortopédicos. Há três tipos: o de Milwalkee, que vai do quadril até o pescoço; o de Boston, do quadril ao tórax; e a órtese tóraco-lombo-sacra (OTLS), que sobe até pouco acima da cintura, apropriada para desvios nas curvas lombares.

Os coletes devem ser usados 23 horas por dia, reservando-se apenas 1 hora para a higiene. Eles não fazem a coluna voltar à posição normal, mas ajudam a conter o agravamento do desvio. Se mesmo com o uso do acessório a curva continua aumentando e atinge os 40 graus, torna-se necessário recorrer à cirurgia. Nela, com o uso de pinos, ganchos e parafusos, o cirurgião aumenta ou diminui o espaço entre as vértebras, corrigindo a sua posição. Não é uma operação simples, principalmente quando acurva é muito acentuada. Apesar do cuidado extremo dos médicos e da existência de equipamentos que ajudam a manter as condições do paciente sob controle, há risco de paralisia, caso a medula seja atingida. Além disso, é preciso considerar que a cirurgia elimina os movimentos da região alterada, uma vez que as vértebras são fixadas na nova posição. Por todos esses motivos, é uma alternativa reservada às situações realmente graves. E nesses casos, diga-se, pode resultar em melhoras significativas. Uma garota que tinha curvatura de 40 graus chegou a ser campeã brasileira de patinação depois da cirurgia.

As escolioses idiopáticas provavelmente têm origem genética e, por enquanto, não há como evitá-las ou detectá-las antes que se manifestem. É fundamental desfazer um mito: mochilas pesadas, embora possam causar dores, não provocam nem agravam o desvio. O que os pais precisam fazer é ficar atentos a assimetrias no corpo de seus filhos, especialmente na altura dos ombros, da cintura e das saliências provocadas pelas costelas quando as crianças se inclinam para a frente. Por volta dos 10 anos, vale a pena tirar uma radiografia. Esportes não previnem o desvio, mas são aconselháveis, pois fortalecem a musculatura, o que sempre é bom. Qual escolher? Aquele que a criança tiver prazer em praticar.

* Elcio Landim (61), médico ortopedista na capital paulista, é chefe dos Grupos de Coluna do Departamento de Ortopedia da Santa Casa de São Paulo e da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Coluna e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Para que quiser conhecer minha historia, eh so ler aqui. haste


sábado, 23 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

desculpas

Aos meus raríssimos visitantes... Desculpas, por toda ausência. Teve casório. Coisa difícil de entender depois que vivemos 5 anos ao lado de alguém. Mas foi lindo. Eu chorei feito uma tonta. Ganhei até declaração. E ainda estou tendo uma tarefa árdua de preparar uma exposição em NY. Muito bom... Que bons ventos continuem soprando. Depois coloco algumas fotos.

site novo


Acabei de fazer um site novo...
Vai lá.
www.palomaperez.com