terça-feira, 30 de outubro de 2007

monte verde

imagem paloma perez
vou ali e já volto...

sou "fanzoca" desta figura!




















Henri Salvador

sEr

"VERBO SER

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer."


Carlos Drummond de Andrade

pintando


Ando pintando móveis sob encomenda. Quem quiser ter um é só escrever.

domingo, 28 de outubro de 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Otimismo

Cientistas descobrem áreas do cérebro responsáveis por regular o otimismo

Da Efe
Em Londres
Uma equipe de cientistas dirigida pela professora Elizabeth A. Phelps, do Departamento de Psicologia da Universidade de Nova York, descobriu as áreas do cérebro responsáveis por regular o otimismo.

Segundo relatório publicado hoje na revista britânica "Nature", os pesquisadores recorreram a uma ressonância magnética funcional do cérebro para examinar como é gerada a predisposição de se esperar por acontecimentos positivos ainda que sem evidências quanto a isso.

Os cientistas descobriram que quando os indivíduos imaginam ocorrências positivas em sua carreira profissional, por exemplo, aumentam as atividades na amídala e no córtex cingulado anterior do cérebro.

Tratam-se das mesmas regiões que anteriormente foram vinculadas com a experiência da dor e do pessimismo.

Por isso, os autores do estudo sustentam que os resultados poderiam ajudar a explorar também os mecanismos essenciais que levam à depressão e a pensamentos pessimistas.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Frida


Gosto de ter uma história parecida (sob poucos aspectos; a pintura, a coluna, os gessos e a força) com a de Frida Kahlo. Dos sofrimentos eu sei. Mas ainda prefiro viver na alegria. E enquanto continuar assim, serei eu.

MuBE vai virar organização de fim público

da Folha de S.Paulo

O MuBE (Museu Brasileiro de Escultura) vai se transformar em uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) até janeiro do ano que vem, informou ontem (22) seu presidente, Jorge Landmann.

Com o novo status, o museu --atualmente uma sociedade privada, com acesso mais restrito a benefícios financeiros e fiscais-- quer obter mais recursos, por meio de leis de incentivo, para montar exposições.

série plástico


imagem paloma perez

Freud explica!

série a Caixa... Uma de 17. Paloma Perez e Robin Glass

Ando tentando e só consigo muito pouco.




















E não é porque não gosto de muito do que vejo. Minha inabilidade em tentar entender o que é hoje arte contemporânea anda me preocupando. Acredito na formação de cada artista (não na formação propriamente dita e ponto), na busca constante do crescer, se aperfeiçoar, aprender e estudar mas sempre com técnica e qualidade. De certa maneira, penso que muitos artesãos são mais esmerados, do que muitos artistas até conceituados.

O que é Arte?
Conhecer as pessoas certas? Fazer qualquer coisa? Esquecer o objetivo? Menosprezar o entendimento alheio?
Acho que estou virando ponto de interrogação...
Quero muito uma galeria séria, representando meu trabalho. Se alguém conhecer, por favor avise. Corro atrás na mesma hora.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

chuva


Parece que ela apareceu para lavar a alma, pelo menos a minha.
Pepê meu filho foi assaltado. Liga de dentro de um carro de polícia contado que estavam procurando os ladrões. Na hora eu mal conseguia respirar. Nem sei se pelo assalto ou por estar dentro de um carro de polícia. A sensação de impotência é algo que me faz medrosa, e olha que não sou. Já fui assaltada muitas vezes, mas ainda n
ão consigo achar que é uma situação normal. Acho o fim da picada. Quando é com filho... Imagino que não diferente de mim, todos os pais prefeririam estar na pele deles. Passei anos alertando e pedindo para não reagir. Mas o mocinho o que fez? Exatamente o contrário. Levou soco no rosto, braço e ainda correu atrás para resgatar seu brinquedo do momento (ipod). São Paulo hoje chove, amanhã não tenho idéia.

Conversa com meus Botões

Conheci a Neysa, por obra do acaso. Uma psicóloga, uma escritora e uma mulher admirável.

texto Neysa Prochet

imagem paloma perez


Por que relacionamentos são complicados?

Uma resposta que me vem à mente é quase absurda em sua obviedade. Porque é necessário nos defrontarmos com um outro, com o outro que nunca é como somos.

Qual o lugar desse outro na nossa vida?

Como é possível avaliar um relacionamento?

Por sua constância? Duração? Fidelidade? Recompensas? Serviços prestados?

Muitas vezes as relações são marcadas pela lei do tudo ou nada. Nada menos que tudo é pedido e, com isso, o desapontamento é inevitável.

É como se aquele por quem alguém se apaixone tivesse o encargo de suprir carências, desvanecer medos, completar experiências, atender a desejos e expectativas. Isso é tão mais comum, quanto menos feliz se foi no passado.

Só reconhece quem conhece. Quem não foi feliz um dia, como pode saber que felicidade não é uma experiência homogênea e contínua? Que não é constante nem possível de ser eternizada? Como saber que completude não se encontra no outro, mas no alívio em se perceber com falhas, mas inteiro?

Se fomos felizes um dia, se encontramos no passado, conforto, segurança e uma certa aceitação de ser quem se é, conseguimos, no presente, suportar as desilusões e manter, dentro de nós, a crença de que, embora nunca sejamos totalmente felizes, a não ser em breves momentos, podemos ser suficientemente felizes em nossos relacionamentos. Mesmo que eles acabem, um dia.

A finitude nos dá a vida de presente. É ela que introduz o passado, o presente e o futuro em nossas vidas. O passado foi o que tivemos, o presente é o que vivemos e o futuro é para onde nossos sonhos apontam.

O grande risco dos relacionamentos é que o futuro também nos indica o que está além de nós, no outro, no acaso e no acidental.
Pensamos que, se soubermos com antecedência o que vai acontecer, estamos nos protegendo e que o conhecimento do futuro irá impedir a dor, o sofrimento e o risco. A previsibilidade busca atingir não só os acontecimentos no meio, mas também os relacionamentos que vivemos. Quando imaginamos que sabemos o que e o porquê do comportamento de alguém, talvez não percebamos que há experiências emocionais distintas das vividas por nós.

Também podemos pensar que seria melhor viver sob a lógica do pior – nada vai acontecer, nada é possível esperar.

Que loucura achar que é mais fácil suportar uma resposta cruel e trágica do que o fato de não se saber as respostas!

Há uma música dos Titãs que diz: "O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído". Ou seja, suportar este acaso sem que uma preocupação excessiva com ele nos roube o tempo que poderia ser dedicado a simplesmente viver. Só dessa forma o que está além de nós e de nosso controle deixa de ser uma ameaça permanente à continuidade da própria existência. O que quer que o futuro nos apresente são contingências da vida.

Todo este processo leva tempo, artigo de luxo em nossos dias de instantaneidade de espaço, localizações e tempos reduzidos.

Estabelecer uma relação é dar tempo para que ela seja construída e cada um dos membros destes relacionamentos possua estatuto de existência pessoal.

É poder reconhecer a existência de limites no nosso poder e no nosso conhecer, ou seja, que não nos seja totalmente insuportável a distância entre o que somos e o que gostaríamos de ser, assim como o que o outro é e o que queríamos que ele fosse.

Aceitar que, se o outro não é ou não fez o que esperávamos, isso não é, necessariamente, um insulto pessoal ou uma rejeição, mas um gesto pessoal, que pode ser aceito ou não, mas que não precisa ser revidado.

Aceitar o espaço entre um e outro sem que este espaço seja abismo.

Acreditar que uma relação precisa ter possibilidades e não um destino marcado.

aOs quarenTA

imagem paloma perez
texto neysa prochet


O que falar sobre a mulher aos quarenta? O que dizer que já não tenha sido exaustivamente discutido sob as mais diversas vertentes – sociológicas, psicológicas, existenciais? O que torna essa etapa de vida particularmente merecedora de tanto interesse? Herbert Prochnow sugere que talvez seja porque “os jovens e os velhos tenham as respostas. Quem está no meio do caminho fica com as perguntas”.

Embora qualquer época vivida, se vivida na acepção mais plena do termo, faça o mesmo, o período que se estende entre os quarenta e os cinqüenta anos é uma fase marcante na história pessoal de uma mulher. Como na adolescência, o corpo, mais uma vez, começa a se transformar, apesar das múltiplas precauções que o zelo físico e as biotecnologias, preocupação pós-moderna, oferecem. Percebe-se ou é antevisto, algo que, se antes era quase uma ficção, passa a ser uma realidade tangível e ameaçadoramente próxima – envelhecer é um fato da vida e acontece com todos, sem exceção, exceto, é claro, quem morre antes.

Numa sociedade que hipervaloriza a estética, a juventude e a rapidez, envelhecer pode ser uma experiência assustadora se o passar do tempo parece ser uma ameaça à integridade de ser e à auto-estima. Se as mudanças colocam em risco uma integridade essencial, serão vigorosamente rejeitadas, numa proteção aflita e inútil contra algo que escapa ao controle, a passagem do tempo. Por isso, hoje, não é possível mais falar apenas de infância, adolescência, vida adulta e velhice. O esforço de perpetuar um estado de juventude propiciou o surgimento de uma condição que podemos chamar de adultescência, termo criado a partir da fusão de duas etapas clássica: a vida adulta e a adolescência.

Segundo David Rowan, em Um glossário para os anos 90, adultescente é aquela pessoa imbuída de cultura jovem, mas com idade suficiente para não o ser. Geralmente entre os 35 e 45 anos, os adultescentes não conseguem aceitar o fato de estarem deixando de ser jovens.

Levamos cada vez mais tempo e dedicamos mais esforços para postergar as transformações corporais inerentes ao viver humano. Levamos tanto tempo para aprender a conviver com as mudanças que, quando aprendemos, já está muito tarde para termos usufruído do prazer de vivê-las, no esforço de adiá-las, indefinidamente. Tempos de mudança são sempre complicados e só passíveis de serem tolerados se, dentro da mutabilidade inevitável, uma certa estabilidade é obtida, um ponto de equilíbrio onde o indivíduo possa se apoiar, uma área de sustentação durante o processo de transformação. Falo da possibilidade de poder ser a si mesmo, sem ter de, necessariamente, ser o mesmo, sempre.

A fase dos quarenta talvez seja um dos períodos em que fiquemos mais conscientes acerca da importância do tempo em nossas vidas. Mais ou menos como acontece na adolescência, parece ser um tempo entre tempos, com a diferença de que o apogeu da vida adulta, em vez de ser uma meta a ser alcançada no futuro é um presente que precisa ser mantido a todo o custo, pela possibilidade aterrorizante de se converter em experiência passada.

Falar desse tempo é como olhar num espelho que está a dez centímetros do próprio rosto. De imediato, o que chama a atenção são as marcas do tempo numa face desconhecida. É o que acontece quando se está próximo demais do fenômeno a ser observado. Perde-se a visão do conjunto em detrimento à percepção aguda do detalhe.

É só depois da estranheza e da recusa que, aí sim, por meio do afastamento que a estranheza provoca, podemos estabelecer certa distância e identificar, com alguma serenidade, a face daquele estranho que nos observa e que também parece familiar, e nele reconhecer, juntamente com o rosto da maturidade, a criança e o jovem que um dia fomos. A bagagem de uma boa parte da vida está ali, nos traços mais marcados, no corpo menos jovem, a pele com menos viço. Mais curioso ainda é descobrir que eles, a criança e o jovem, na verdade, nunca se foram. Apenas não são mais os protagonistas dos acontecimentos cotidianos. Cederam seu lugar àquele rosto maduro, desconhecidamente conquistado, mas que nos pertence integralmente.

Aí vem o prazer. O prazer que advém de prescindir cada vez mais da aprovação alheia, tão necessários na juventude, mas dispensáveis, em grande parte na maturidade. Vem o prazer de perceber que o amor e o ardor não dependem da carne firme ou da pele jovem ou mesmo do nível dos hormônios, mas daquilo que vem de dentro da gente e que “não tem descanso, nem nunca terá, que não tem cansaço, nem nunca terá, que não tem limite” (Chico Burque/"O que será"). Vem da força de ter sobrevivido aos tempos difíceis e de ter saído deles renovado e mais forte.

Vem do prazer de saborear os momentos de felicidade, das pequeninas coisas, de abrir mão da urgência, do agora ou nunca, de poder se perguntar diante de algo que o incomoda: qual o valor disso, daqui a um ano? E, dependendo da resposta, poder escolher o que fazer ou dar de ombros e dizer: dane-se! Vem da percepção de que o tempo não é um inimigo a ser combatido, mas um grande aliado, se reconhecido como tal. Ele nos dá muito, só não trabalha numa clínica estética.

Vem de poder dizer: era bem legal lá atrás, mas eu prefiro agora.

set. 2004

Ainda não tenho quarenta... Chegarei mais feliz depois deste texto.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

a cara da arte brasileira...

imagem paloma perez

Quem quer ser curador da Bienal?
Seis perguntas para três personalidades do circuito das artes que se recusaram a apresentar projetos para a próxima mostra

1) Na sua avaliação, por que a Bienal de São Paulo chegou a este estágio atual de crise tão propalada?
TADEU: Penso que a Bienal está em crise porque é uma instituição que não se pensa. Parece-me que, hoje em dia, ela está interessada em cumprir uma obrigação: realizar a cada dois anos uma mostra internacional de arte contemporânea. Tudo o que ela acumulou nestes mais de 50 anos parece não lhe interessar, e uma visão a médio e longo prazo sobre si mesma, isso parece não existir para a instituição.

SOLANGE: Também gostaria de saber. É difícil entender por que se pensou em convidar curadores tão tardiamente.

AGNALDO: Como saber, sem viver o dia-a-dia da instituição? A julgar pela mídia, o problema é de gestão. Mas desde sempre a Bienal, com dificuldades de captação, esbarra em problemas dessa natureza.


2) Por que essa dificuldade de encontrar um curador para a próxima Bienal de São Paulo, a 28.ª? É uma espécie de boicote a um modelo ou à polêmica gestão? Ou falta de tempo e de recursos?

TADEU: Não acredito que tenha havido boicote contra à Bienal ou à atual gestão. O que me levou a recusar o convite para apresentar um projeto para a próxima edição foi não acreditar que este seja o caminho para se pensar a Bienal, o seu futuro e o seu papel dentro da cena artística brasileira e internacional. Não quero propor um projeto de exposição desconectado de um projeto de médio ou longo prazo para a Fundação para satisfazer uma ego-trip sem conexão com a realidade da cultura do País. Recusei-me a enviar o projeto, mas me coloquei à disposição para discutir mais amplamente a Bienal e seus destinos, se os atuais dirigentes da instituição estiverem interessados.
SOLANGE: A minha experiência é que fui convidada a apresentar um projeto para a próxima Bienal em menos de um mês. Quem tem noção do que é um processo curatorial sabe que é um prazo absolutamente inviável. Para qualquer curador, um projeto de Bienal é algo sério, que envolve muita pesquisa.

AGNALDO: Não creio que tenha havido boicote. No meu caso, o pouco tempo para a realização de um trabalho previsto para outubro de 2008 foi decisivo para que não aceitasse.


3) O que é crise do modelo Bienal (ou papel de uma Bienal nestes tempos) e o que é particular a essa instituição?

TADEU: Penso que a Bienal de São Paulo deve pensar sobre qual o tipo de diálogo que ela quer manter com a cena artística internacional, com as outras Bienais que se espalharam pelo mundo, com o boom das feiras de arte, etc., e também sobre quais são seus efetivos compromissos com a cena artística brasileira, a plataforma inicial em que ela está inserida. A partir da identificação dessas questões e das possíveis respostas é que ela deveria repensar seu modelo, não para a próxima edição, mas, pelo menos, para as próximas cinco edições. E, obviamente, essa discussão deveria ser alimentada continuamente.

SOLANGE: Fala-se muito da crise das Bienais no meio das artes. A sensação geral é de que essas instituições perdem algo de sua essência ao se comprometer com o mercado. Às vezes, fica difícil diferenciá-las das grandes feiras internacionais de arte. O propósito original das Bienais é apontar vertentes, e não ser palatáveis para o mercado. Em relação a esta gestão, não dá para entender por que o catálogo da última Bienal ainda não foi editado, nem por que se voltou atrás no salto importantíssimo (e corajoso) que foi a proposta da Lisette Lagnado de acabar com as representações nacionais. Embora tenham um papel na viabilização da Bienal, as representações nacionais, da maneira como são realizadas, impossibilitam a construção de uma idéia curatorial coesa.

AGNALDO: Irei me ater ao trecho em parênteses, isto é, o papel de uma Bienal nestes tempos. A edição anterior, que teve como curadora Lisette Lagnado, confirmou a importância do evento. Gerou controvérsia, é claro. Como não gerar? Mas mesmo o mais recalcitrante dos seus críticos admitiu, ou deveria ter admitido, que se trata de uma parcela da produção das mais sérias e que hoje está em grande voga. Tê-la apresentado do modo como foi feito é, a meu ver, um grande mérito. A Bienal de São Paulo segue sendo o melhor e quase único fórum de apresentação e debate do que anda sendo produzido em escala internacional. Há alguns anos atrás, com o fomento à cultura propiciado pelas leis de incentivo, julguei que os museus e outras instituições dariam conta do recado. Não foi bem isso que aconteceu. O tempo passou, as instituições vivem muitas dificuldades, não entramos no circuito internacional e a Bienal segue valendo como espaço privilegiado.


4) Dentre os papéis atribuídos à Bienal, estão o de disseminar por aqui a produção internacional (seja a contemporânea, seja a histórica), ajudar na formação do público e dos agentes da área, garantir um espaço de projeção e reflexão sobre a produção nacional... Essas metas ainda são válidas? Qual seria, do seu ponto de vista, o aspecto mais relevante, positivo, da Bienal de São Paulo? E qual seria sua principal crítica?

TADEU: Creio que o modelo que aí está - uma Bienal burocrática que somente pensa em cumprir a obrigação de realizar uma edição a cada dois anos, a partir de projetos que não se conectam - não pode e não deve continuar. Não me parece que, apesar dos esforços dos últimos curadores, as últimas edições tenham cumprido os propósitos que nortearam as primeiras edições. Bienais agigantadas, será que é esse o modelo que devemos seguir? Qual o lastro que ela quer deixar em seu público, apenas a experiência da visita? É melancólico perceber que estamos chegando perto da próxima edição e ainda não foi lançado o catálogo geral da última! Por que não foi lançado? Talvez porque considerem de menor importância um documento que sistematize e aprofunde as questões lançadas pelos trabalhos apresentados? Porque o que importa, na verdade, é a ''''festa'''' e não propriamente criar possibilidades para que ele frutifique, germine por meio da reflexão?

SOLANGE: Essas metas continuam válidas, ainda que me pareça evidente que a vocação das Bienais seja mapear a produção contemporânea. Os eixos históricos foram concebidos em um momento em que não havia circulação suficiente de mostras internacionais importantes por aqui. Essa cena mudou. É inconcebível que, a esta altura, ainda não tenhamos definido diretrizes básicas. O ponto positivo da Bienal de São Paulo é que, mesmo no meio dessa bagunça toda, ela continua sendo considerada uma das mais importantes do mundo.

AGNALDO: Essas metas ainda são válidas e aconselho uma visita à atual Bienal do Mercosul para ver como o modelo pode funcionar. A Bienal de São Paulo vem cumprindo essa agenda muito embora o resultado varia de edição para edição. A principal crítica é a falta de continuidade nos seus ganhos, como a abolição das representações nacionais, o estabelecimento de recortes que a tornem mais coesa, a criação de um sistema transparente para a seleção do curador. Jogar tudo isso pela janela será um desastre. Qualquer um que assuma a presidência deveria saber que um evento da natureza da Bienal possui suas rotinas, o não cumprimento delas, ou realizá-las de afogadilho, quase sempre compromete o resultado. A meu ver, desta vez o melhor a ser feito é respirar fundo e adiar a próxima edição.

5) É possível pensar hoje numa Bienal que não ceda espaço à cultura do espetáculo? Os índices de freqüência, próximos a 1 milhão de espectadores, trazem algum alento ou apenas confirmam a esquizofrenia do evento?

TADEU: Penso ser perfeitamente possível pensar uma Bienal que não ceda à cultura do espetáculo. Parece-me apenas que é só ter vontade política, compromisso com a idéia de que a Bienal não é uma feira, que ela é um espaço de exibição e reflexão e que, para que deite raízes efetivas no campo da cultura e da arte, não precisa e não deve competir com outros eventos. Porque, de fato, ela não se resume a um evento periódico. É muito mais do que isso. Ou melhor, até poucos anos atrás, ela era muito maior do que isso. Parece-me que hoje em dia, no entanto, ela se esqueceu de si mesma.

SOLANGE: A Bienal deveria ser o espaço do que ainda vai ser, das grandes pesquisas no campo da arte. Por outro lado, os curadores se vêem diante de uma cobrança por público, e isso gera uma esquizofrenia, de fato.
AGNALDO: É impossível. A dimensão do evento faz com que ele pertença à lógica do espetáculo. O que não quer dizer que não se possam extrair aspectos positivos daí. Quanto a isso, a Bienal, desde o seu nascimento, contribuiu imensamente para o avanço da nossa produção e para a formação do público.


6) Como fazer para tentar diminuir esse incômodo divórcio existente entre a arte contemporânea e o público?

TADEU: Não creio em divórcio porque não creio em casamento. Acredito que a arte contemporânea e o público andam em paralelo, quase sempre se ignorando. No Brasil, ocorriam situações em que eles se cruzavam de maneira extremamente protéica, e essas situações ocorriam, sobretudo, quando as Bienais cumpriam seu papel pedagógico que não pode ser resumido apenas a um setor de monitoria, por melhor que ele seja estruturado. O papel da Bienal nessa área durante muito tempo não se resumiu aos seus quadros de monitores (historicamente fundamentais para a arte e a reflexão sobre a arte no Brasil). É preciso muito mais para que a Bienal volte a estabelecer de novo efetivas conexões com o público.

SOLANGE: Não acho que haja divórcio, mas uma relação a ser conquistada.
AGNALDO: Em primeiro lugar, fazendo com que ele a freqüente. A "freqüentação", como um dia disse Lourival Gomes Machado, é fundamental para que o público perceba a inteligência da arte contemporânea e os benefícios que ele pode extrair disso.

Jornal Estado de São Paulo - Terça-Feira, 02 de Outubro de 2007 | Versão Impressa

Bienal sem rumo

imagem paloma perez

Críticos e curadores comentam a incômoda indefinição a respeito da próxima Bienal de São Paulo Maria Hirszman e Camila Molina Estamos a cerca de um ano para a abertura prevista da 28ª Bienal de São Paulo. E até este momento ainda não foi definido o nome do curador responsável pela concepção e desenvolvimento da mostra. Após passar por uma série de turbulências, a instituição vem enfrentando dificuldades para conseguir repetir o modelo de definição da curadoria baseado não mais em escolha pessoal da presidência, mas em uma espécie de concorrência entre os projetos, como ocorreu na realização da 27ª Bienal, em 2006. Diversos especialistas da área foram convidados para participar desse processo, mas o índice de recusa tem sido extremamente elevado. Dentre as razões apontadas pelos curadores convidados destaca-se a incapacidade de se montar um projeto sério em tão pouco tempo e com garantias precárias de realização do evento. Outro fator não menos importante é a preocupação generalizada no circuito de arte contemporânea, em relação à crise vivenciada pela instituição nacional. Crise que tem dimensões conjunturais - conflitos internos, denúncias que envolvem a presidência da Bienal -, mas também envolve uma discussão bem mais ampla sobre o papel de um evento como este. A reportagem do Estado discutiu com críticos e curadores (alguns deles convidados pela fundação para apresentarem projetos curatoriais para a 28ª Bienal) os motivos da ampla recusa, assim como colocou em questão o tema do papel da realização de Bienais. Três desses entrevistados aceitaram discutir mais detalhadamente o tema. Outros, que confirmaram terem recusado o convite da Fundação Bienal de São Paulo, preferiram não entrar no debate no momento. Aceitaram participar da matéria: Tadeu Chiarelli, professor da ECA-USP, curador e diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo; Solange Farkas , curadora e criadora do Videobrasil - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, ; e Agnaldo Farias, professor da FAU-USP e curador independente. Se há uma opinião unânime entre os vários curadores consultados é a necessidade de se repensar os objetivos, finalidades e o perfil que se deseja para o evento. Além dos curadores convidados pelo Estado, a reportagem enviou uma série de perguntas para Jacopo Crivelli Visconti, curador da Fundação Bienal de São Paulo e responsável por responder pela instituição. A Fundação Bienal de São Paulo se vê enfraquecida depois da série de escândalos envolvendo a gestão de Manoel Pires da Costa. O atual presidente da instituição, agora em seu terceiro mandato, teve dificuldades para se reeleger. O estopim da crise, em abril, foi o fato de a empresa privada de Pires da Costa, a TPT Comunicações e Editora Ltda, ser a responsável pela publicação da revista Bien''''art, veículo diretamente ligado à Fundação. A edição da revista foi suspensa e outras denúncias de fraudes passaram pela avaliação do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Conselho da Fundação Bienal. Pires da Costa foi absolvido pelos dois órgãos e se reelegeu em junho.

Terça-Feira, 02 de Outubro de 2007 | Versão Impressa Jornal " O Estado de São Paulo"

wild in bed

leR

ganhei de meu amigo Leonel Prata

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

Camu Camu


imagem: paloma perez

CAMU CAMU

Essa frutinha é maravilhosa!
O camu camu é nativo e selvagem nas regiões ribeirinhas inundáveis do rio da Amazônia Ocidental.
Florescem e produzem no período das cheias dos rios da Amazônia Ocidental.
Planta arbustiva e perene pode chegar até 4,0 metros de altura.
Suas flores são brancas e os frutos podem chegar a pesar de 5 a 10 gramas, 1,5 a 2,5 centímetros de diâmetro de cor vermelho escuro à roxo, muito semelhante à jabuticabeira, tanto a fruta quanto a arquitetura da planta.
De sabor bastante acido para o consumo humano “in natura“, porém com aroma e sabor agradável, tem forte vocação para industrialização uma vez que possibilita uma infinidade de produtos alternativos e de forte valor agregado.
Planta que exige solo muito úmido, suporta permanecer submersa por até 6 meses em seu habitat natural.
Sua reprodução é feita através de sementes que tem pouca durabilidade para germinação recalcitrando em até 45 dias.
A germinação de suas sementes se faz em condições especiais e específicas.
Planta inicia produção de frutos em 18 a 24 meses a partir da germinação das sementes.
Bastante rústica e de fácil manejo requer solo com muita matéria orgânica, alta umidade e PH ácido à neutro.

A Estação Experimental santa Luzia iniciou experiências de adaptação e cultivo do camu camu no Estado de São Paulo em 2.001, obtendo até o presente momento estimulantes resultados.

Por ser a fruta que contem o maior índice de acido ascórbico (vitamina C) conhecida no planeta, vem despertando interesse internacional das industrias de bebidas, farmacêuticas e cosmeceuticas.

O camu camu contém vitamina C natural em concentração 20 vezes mais que a acerola, 100 vezes mais que o limão, podendo conter 5 gramas da vitamina a cada 100 gramas da fruta ou 50.000 p.p.m. (partes por milhão).

Possui ainda, comparado com a laranja, 10 vezes mais ferro e 50% a mais de fósforo.